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A viola de Queluz PDF Imprimir E-mail

 

Viola Queluz
Contribuição de:
Ramon Coelho

Texto e fotos adaptados por:
Sérgio Donizeti

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Origem da Viola de Queluz.

As violas de Queluz foram produzidas em oficinas da região de Queluz, hoje Conselheiro Lafaiete - Minas Gerais, no final do século XIX e início do século XX. As oficinas mais famosas pertenciam às famílias dos Meirelles e dos Salgado.

Eram fabricadas artesanalmente e seu modelo seguia o modelo das "violas toeiras", de origem portuguesa. A viola de Queluz foi a de confecção artesanal que conquistou a fama maior.

 

Características.

As características marcantes deste modelo de viola são:

1º) Encordoamento em cinco ordens, sendo as três primeiras cordas duplas e as duas últimas, cordas triplas (duas cordas finas e um bordão).

Figura 1

 

2º) O cavalete tem a forma de um "bigode" completando assim o estilo desta viola tão especial.  

Figura 2

 

3º) O braço possui uma escala de dez casas até o tampo e mais duas casas sobre o mesmo, salientando que a escala do braço e o tampo estão no mesmo plano.

Figura 3

 

4º) As cravelhas são de madeira, atarrachadas na cravelheira do instrumento.

Figura 4

 

5º) Os mosaicos e bordados são feitos manualmente pela técnica de marcheteria, que consiste em uma arte com finalidade decorativa, desenvolvida em folhas de madeira, com espessura aproximada de 0,1 mm. Essas folhas podem ser de variados tipos e modelos como por exemplo: Mogno, Raiz, Embuia, Rádica, Marfim e outras.

Figura 5

 

Quanto à afinação utilizada neste tipo de viola, podemos citar a "quatro-pontos" contendo a ordem do acordoamento: Mí, Sí, Sol, Ré, Lá e que eram utilizados por violeiros que acompanhavam as folias de reis, no interior do estado de São Paulo.


 

Processo de reforma

Veja abaixo o relato do colaborador Ramon Coelho, luthier que reside em São João Del Rey, em Minas Gerais que possui a viola de Queluz que o próprio está restaurando:

Figura 6

Aqui na região ainda é possível encontrar violas de Queluz quebradas ou não, só que é muito difícil comprar...


Esta viola eu troquei com um cara aqui na cidade que faz rolo com móveis antigos. Dei à ele um violão Giannini Trovador restaurado em troca desta viola e dizem que ela foi do meu avô e depois do meu pai, pois ele gostava de ter em casa para tocar...

Bem, aí que começou meus problemas com ela! Uma lateral estava quebrada e soltado restante, foi só tirar um barbantinho no meio e tudo se separou! Eu acho que era uma viola do Jack, o Estripador...

Quando eu a abri, se pode se dizer isso, notei que faltavam as barras de sustentação do fundo, então tive que recolocá-los. A lateral que estava inteira, tive que colocar vários diamantes (pedaços de madeiras que unem as partes quebradas), a outra lateral se quebrou perto do salto, aí eu coloquei um pedaço maior de madeira - um toquinho - para ter uma área maior de colagem. No tampo, faltavam quatro bloquinhos da marchetaria que ficam na borda, tive então que refazer (feita com cedro marfim e jacarandá baiano)...

O tampo também apresentou cupim, que foram eliminados com altas dozes de cupiniciza pica-pau e depois, por dentro do instrumento refeito a consistência da madeira, com cola e serragem de baiano (jacaranda). Refeito pois estava uma folha de papel por fora e por dentro, o cupim já tinha comido tudo...

Depois disso, a montagem foi feita através de uma forma feita para isso, sendo que, depois de colada, passei a lixar o restante do verniz velho, ate achar a madeira. Coloquei os frisos laterais dando o acabamento que se seguia, e depois comecei a envernizar mas, não tão rápido assim...

Mandei fazer as cravelhas, 9 no total , pois ela e de 12 cordas e só tinha 3, mandei fazer de baiano. O cavalete pediu um reparo também, um pedaço de um lado do bigode, e abaixo dele, um pedaço como se fosse um babador de nenem...


O verniz e goma laca ou asa de barata como a gente chama, vai mais ou menos 20 demãos, entre lixas e mãos de verniz, tive que trocar os trastes, pois, já estavam detonados...

Não tenho como precisar uma data para o término do serviço pois, ela e minha!!! E eu tenho muitos serviços para entregar aqui na minha oficina, Tenho graças a Deus, uma freguesia boa que adora detonar violões para eu consertar, e guitarras para regular."

Figura 7

 

Dimensões:

 

Caso você pretenda encomendar uma viola deste tipo, segue o dimensional básico (em centímetros) da viola de Queluz do nosso colaborador:

Figura 8

Figura 9

 

 

Biliografia:

CORREA, R. "A Arte de pontear viola" Brasília, Curitiba, 2000

 
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